quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ensaio sobre o amigo secreto que também é outro ensaio.




Até agora já são cinco.
Cinco.
Ciiiiiiiiiiinco confraternizações.
Isso mesmo.
Estamos na metade do mês de dezembro, e
Eu já tenho cinco festas de confraternização,
Cinco amigos secretos, e
Cinco frutinhas cristalizadas engasgadas na minha garganta...

-Gasp, gasp, gasp!

Todo final de ano é a mesma coisa...

Tá.
Eu vou revelar aos senhores:
-Eutenhomedodoamigosecreto..

HÃ?

Er..
Eu te-nho me-do do amiiiiigo secretooo.......

Não, senhores. Não é porque existe aquele filminho de suspense boboca chamado “O Amigo Oculto” que eu, por hora, cultivo este medo do amigo secreto.
Meu time code nessa historinha é mais longo. Muito mais.

Na verdade, eu tenho um, assim, certo receio de toda festinha que já é por si só muito montada. Onde os risos, as palmas e até os “Êêêêê” não são espontâneos.
E o amigo secreto é material adicional deste pacote.

Tenho sempre a impressão de que as festas de final de ano se tornaram as mais artificiais de todo o calendário. Tornam o ato de confraternizar uma coisa tediosa, enfadonha, previsível e, o pior de tudo, o-bri-ga-tó-ria.

Parece que todo círculo social que se preza deve se confraternizar... E, nesse sentido, quem não se confraterniza se despreza.

É legal que se tenha uma data do ano em que todos os amigos e colegas de trabalho possam se reunir sem a tensão do ambiente de trabalho. Porém, eu disse “se”.

Não temos essa data.

Por se tornar uma festa subjetivamente obrigatória, transferimos de alguma forma a tensão das relações do dia a dia para as confraternizações.
Ir a uma confraternização é um ato político.
Mesmo que você não perceba, está fazendo po-lí-ti-ca. Exercendo muito mais o seu papel social (para não ser taxado do “esquisitão anti-social do 2º andar”) do que o seu lado festivo-natalino.

Ainda nesta semana, uma garota com a farda das lojas Esposende sentou ao meu lado no ônibus, e falando com uma amiga ao celular, comentou que estava com muito medo de ser prejudicada no trabalho porque talvez não pudesse ir à festinha de confraternização da loja.
[...]
O motivo?
Ela não teria ninguém que a acompanhasse de volta pra casa, no longínquo “Conjunto Marcus Freire”.

Claro. Eu fingi que estava lendo uma revista e fiquei só prestando atenção no diálogo da moça. O namorado dela não iria, ninguém mora perto dela, ela mora longe, e não quer gastar dinheiro com táxi!
Justo. Ta certíssima.
Mas o receio veio de imediato: - e se, por causa disso, Seu Salatiel me demitir na leva de janeiro?

Por pouco eu não digo a ela: -Espírito de natal mesmo seria se o tal do“Seu Salatiel” lhe desse uma carona até em casa, sem, é claro, depois tentar cobrar pelo ato de solidariedade...

Mas eu estava muito séria lendo uma revista de tecnologia e informática, não podia dar essa pinta.

Continuei ouvindo, e ouvindo até que a derradeira dose de culpa veio e a arrebatou:
- Er, eu vou ter que ir de qualquer jeito porque agora eu já tirei o papelzinho do amigo secreto!

Isso mesmo! Se você estiver muito a fim de se queimar numa empresa, não precisa ser aquele funcionário que nunca chega na hora certa, ao invés de toda essa bobagem, falte ao amigo secreto e isto, sim, será bem fatal!

Infelizmente os créditos da moça acabaram e a amiga do outro lado não retornou a ligação, portanto, desci do ônibus sem saber o que a moçinha de verde tinha decidido. Se é que decidiu.

Fiquei imaginando o pedaço de papel queimando no bolso da calça dela, o nome insosso do colega de trabalho insosso escrito numa letra desenhada e cansada, cansada e derretendo no bolso da calça mal lavada suada suando no sono depois que a marmita acaba e tudo vira uma ilusão escorrendo no vidro das janelas dos ônibus que vão para o Conjunto Marcus Freire.

É.
Coisas obrigatórias são ruins. Mas as coisas que são suuuubjetivamente obrigatórias são ainda piores, elas acabam sendo desastrosas.

Vou dizer,
No meu primeiro amigo secreto, eu tirei a minha professora. Eu tinha seis anos de idade e decidimos lá em casa que eu iria presenteá-la com um batom.


Fiquei radiante! “Tia Tânia” era uma chata e apagava toooda a minha redação se eu copiasse uma vírgula errada do quadro para o caderno, porém, ela agora iria usar a mesma cor de batom que a minha mãe usava!! Talvez o batom fosse re-ge-ne-ra-dor, e isso era uma super boa intenção natalina!!
Pois bem. Na hora da festinha na colorida salinha do ABC, revelei que havia tirado a tia, e tive o azar de ouvir que havia sido tirada por ela. E ela, uma chata que babava de prazer em apagar redações alheias, me deu uma caixa com lenços de pano.

Isso mesmo. Uma caixinha com três rolinhos de pano. Sem nenhum pirulito.
Vejam que coisa mais desastrosa. No mínimo, ela trabalhou dobrado para dar conta das festas do colégio e não teve tempo nem tesão de ir comprar algo mais, digamos, pertinente, pois o calendário da instituição de ensino ficou martelando martelando em cima da cabeça dos funcionários dizendo que “cumpram as festividades por bem ou por mal”.


(Se ficaram curiosos, saibam que os três lenços viraram depois um super jogo de cama da Barbie... )

Já outra vez,
uma amiga minha muito querida me contou que fizeram uma festinha de amigo secreto na sala de aula dela quando ela era criança, e
mesmo com a situação difícil em que estava vivendo a família dela na época, ela resolveu participar da brincadeira. Estimulada pelas mensagens de solidariedade, comprou com o pouco que tinha um presentinho. Ela mesmo confeccionou uma embalagem e entregou à sua amiga secreta.
Minutos depois. A mãe da tal amiga, que já não era mais secreta, mandou a filha devolver o presente.
....
Era um sabonete.

(pausa pros risos)

Agora perceba só a deturpação, o desastre disso tudo!

Uma criança, um sabonete, uma mãe que esperava, com certeza, o selo da Piuí Brinquedos vindo sorridente no presente de amigo secreto, e esse, não vindo, transformou tudo em motivo para pití e espírito de porco.

Imagine uma criança uma criança e um presente devolvido, devolvido como uma carta em que se sela mudou-se, endereço insuficiente ou óbito, falecido, faleceu.

De-sas-tre.

Se fosse eu teria achado graça. Foi espontâneo, foi autêntico, diferente! Mas, não. Nós temos tanto medo em fugir da normalidade e amarramos tão bem amarrado às nossas confraternizações que elas, sufocadas, vão perdendo o ar o ar e a cor.. ficam sem sal.

E esta é a mensagem de fim de ano da gata deste famigerado blog: Deixemos fluir!

Eu não devia dizer, mas
No melhor amigo secreto que participei, os presentes foram entregues, de propósito, já no final da festa, e
Bem, eu,
Eu estava tão hehe alegre hehe, mas tão alegre, que
rasguei o blues e cantei “Baby, it’s cold out side” no microfone, no momento em que entregava o presente ao meu chefe...

E mais,
No meu natal mais inesquecível, em 1997, algum desavisado da minha família trocou as cantoras, e
ao invés de tocar a Simone com seu peguento refrão “Então, é natal”, saiu da tuba a voz da Clara Nunes, e
bem, e, er...
terminou a festa com todas as minhas tias recebendo santos e espritos no salão numa confusão tão grande por cima dos simbolos cristãos que até hoje ninguém se lembra do gosto do panettone de frutas cristalizadas, mas somente do cheiro forte do perfume que foi derramado da maneira como exigiram as entidades que chegaram pra festa de penetra...



(Renata Santana)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Duplamente Penetrada,

Recife é mesmo muito sem vergonha...







(Renata Santana)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Exclusivo!!!

O escritor Wellington de Melo, do coletivo Urros Masculinos, anunciou que a festa literária FreePorto terá apenas 3 edições.

Isso mesmo.

A primeira edição do assustado anárquico-literário FreePorto, organizada pelo Coletivo, foi realizada nos dias 6 7 e 8 de novembro, na Rua da Moeda, zona boemia da cidade do Recife – mas lá só tomamos Skol.

E foi e aconteceu e balançou e bombou.

Mas tem data pra acabar.

Se você não teve a oportunidade de conferir o evento deste ano, pelo menos agora você já sabe que não vai precisar ficar budejando por conta de coisas do tipo: “Ah, no próximo show da Cássia Eller eu vouuu”. Fica a lição.

E o motivo de apenas 3 edições?

No vídeo gravado no bar “Bom dia, São Paulo”, na Rua Augusta (sim, ela de novo! Mas dessa vez estávamos lindos e sóbrios) e cujo proprietário é um recifense cabra da peste e ex-residente do bairro de Casa Amarela, Wellington justifica o curto prazo do evento.

Er... não é por que o depoimento foi gravado em um bar (hirc!) que não devemos levar a veracidade dos fatos em conta, ainda que a conta nos diga que uma cerveja custe quase 5 reais. Mas isso já é outra história...

Então, não leve nada em conta. Leve não leve não leve não. Leve em consideração.

É isso,


FreePorto,

Ei, bi, cí,

Dó-ré-mi

One, two, three.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Museu da Língua Portuguesa - SP.

Tentei fazer um registro da beleza multimídia que é este museu.

Me deu uma vontade tão grande de trabalhar neste lugar (até porque ele só funciona das 10 às 17h, hehe), que quase deixo o meu currículo na porta, dentro de uma cestinha de vime e com um laçinho cor de rosa: quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui com vocês?

PS: O vídeo é curtinho porque a pilha da máquina era uma safadinha.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Com Leminsk na Rua Augusta.

Não tinha nada a ver.
Ou até tinha....
....Tinha tinha tinha, estou certa que tinha!

Depois de uma manhã e de metade da tarde desta quinta-feira ouvindo literatura em formato-palestras no primero dia do Baladas Literárias, aqui em São Paulo, e tudo tudo descendo com gosto de água com gás...
....houve, a noite, um momento cerveja gelada e poesia sendo dita pra ser escutada até pelo ouvido engordurado do cozinheiro que ouvia, até então, só as quatro bocas do fogão.

É água com gás? não.
Eu ando cansada de palestras, e
quero lembrar que podemos falar de literatura em qualquer lugar. poesia não é um evento, é uma prática.


(Renata Santana - Vila Madalena, SP)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aí no meio daquele barulho no mercado da Boa Vista entre pássaros gente muita gente e o calor de um sábado de novembro na cidade do Recife aí la sabe la no meio de tudo um leitor sim sim sim um leitor do blog me parou assim, ele pegou assim no meu ombro, pegou assim, eu olhei pra ele e ele já olhava pra mim ele ele olhou e ja foi dizendo, mas ele ja foi dizendo mesmo:

- Cadê o blog?!


(silêncio)



No meio do barulho dos pássaros calor bosta de pássaros no asfalto derretendo no piso nas pisadas nas sandálias derretendo no forró barato do Mercado cheio de gente gente gente tanta gente menina é novembro e ficou silêncio e ficou e eu fiquei gaga e eu fique gaiza e eu não disse nada.

Eu disse,
eu poderia ter dito que um raio caiu na minha cabeça e eu fiquei assim assada tostada de cama de lona de febre comendo roendo as unhas e os dedos e os punhos e toda as varizes e escaras de uma invalidez paralisante.

Mas eu não minto. Minto não,

Eu fiquei muda eu fiquei gaga eu fiquei gaiza,
e o blog? e o blog? e o blog?
última postagem no dia 18 de outubro, menina menina menina, e o blog?

Minto não.
Olhei bem pra ele e ele e ele fez:
-parasse no Id, foi?

E eu,
sim sim sim, eu sou muito id... mas eu não minto não.

- O blog, né? menino o blog eu nunca mais porque eu não estava parada paralizada numa cama, porque eu poderia te dizer que fui atingida por um raio e estava de cama, mas
gato tem sete vidas e eu não estaria sendo leal (nem gata),
o blog está la assim porque é fim de período e as cadeiras da faculdade estão cheias de prego e eu não quero permanecer nelas durante muiito tempo. Eu quero mudar de cadeiras, eu quero.
E a ideia da mudança de um cabo que me conecta a Internet foi fatal, e aí eu sou uma blogueira há 15 dias sem Internet, eu sou. Eu sou uma blogueira que está online nos eventos literários no trabalho no estágio e aí não sobra tempo gás fôlego pra entrar numa lan house no final da noite e escrever sentindo todos os odores da adolescência suada impregnada numa inhaca daqueles que disseram em casa que iam tomar banho mas pularam a janela e foram jogar aquele jogo em que se mata e se grita o tempo todo e deixa o dever de casa envelhencendo sobre a mesa enquanto a mãe a mãe e o pai envelhecem e se azedam sobre as jornadas de trabalho que assim como o jogo em que se mata e se grita o tempo todo, também têm o tempo contado e e e e já são 18h e o ônibus que vai para as nossas casas está lotado.

É isso.
-Eu estou sem tempo e lugar pra escrever no blog, eu disse.

E o homem, o homem sabe, que ficou de ver o problema da minha Internet ele parece que também tem problema de tempo e,
nunca nunca vai ver a minha Internet. Porque você, vocês, não ligam pro homem da minha Internet para que ele encontre tempo, porque se ele encontrar tempo eu vou passar a ter mais tempo e se eu tiver tempo o blog vai ter texto. Quer o número dele?? eu dou!

Aí o leitor, meu deus, o leitor me parou e eu falei, falei mesmo.
Mas nada disso importa, nada disso importa. Repara que não importa?
Percebe?
A inhaca dos 13 anos jogando e suando na lan house apertada e fedida e oleosa e e e, atrasando o dever de casa que a professora pediu que copiassem do quadro e e e eu com medo de que o calor o delírio me levasse prum tempo em que eu estava, em que eu jogava depois da aula, nas máquinas de botões coloridos entre muitos e quase todos meninos, jogando e dizendo com a boca cheia de vento,
-tô no playtiiiiiiiiiiiiiiiiime, mãaaae, e
o time que se abre na boca como se houvesse "a" dentro da palavra, mas não há,
não há mais nada de ar. Há calor, há muito calor. E o calor transpirou meus 9 10 11 anos de idade, e
agora eu tenho 23 e não tenho ar nem playtime nem time porque meu time no laboratório de informática da Universidade está terminando, e eu vou indo pra aula porque quero mudar de cadeira, e nada nada disso importa quando
você tem um leitor que pára você no meio do caos de um sábado de forró barato com bosta de gente de pombos e pássaros e diz,

-não pára de escrever não, porque eu estou acompanhando tudo que você escreve...


(Renata Santana)

domingo, 18 de outubro de 2009

Id.


Idio, sim,
Crasia,
sim!

Chilique não.


Índio assim,
Crase em tupi,

Acenta não.

Indo sim,
Que um chão assim,

Assenta não.


Indócil,
Contigo, assim?

Acerta a mão!


Endosse,
Que um caso assim,

Defendo não.


Idio, sim,
Crasia,
Sim.

Chilique não!
.
(Renata Santana)