sábado, 24 de julho de 2010

O que pensa o minuto sobre a personalidade do segundo.
Eu digo, o que julga ser uma pessoa de 30 minutos, aquele que tem 60?
Algumas pessoas não entendem minha pressa.
Mas deve ser por que na maioria das vezes eu tenho 30 segundos.. e não 60.
E preciso correr,
e por isso, falo rápido, o motor arranca e corre com as palavras perseguindo o pensamento.
Perseguindo perseguindo... aquilo que eu já formulei e estava doiiido pra sair.
Se divago,
aí,sim, ando sem pressa. Por pisando em coisas que ainda não nasceram, ou chegaram a nascer, mas decidiram pela morte.. e se foram.
Eu estou morrendo por falta de segundos, e ainda me mandam preservar o silêncio.
Quando eu cheguei aqui me subtrairam.
A boa notícia é que eu sei contar.
E cá estou.

Mas não precisam me ler agora, neste momento, podem me dar um tempo, por favor, sim?
Por que neste exato segundo eu estou bebada.
Me desculpem. Essa não foi a intenção.
Me desculpem.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu queria ser

a máquina de sucos centrífuga que a minha irmã comprou.
Ao invés da bailarina russa de asas nos pés e pentelhos ruivos,
a máquina
centrífuga
de sucos
fun
kitchen
que a minha irmã comprou em dez prestações na Eletroshopping...

Ponha as frutas, qualquer fruta, qualquer coisa que renda sumo
e ela, a centrífuga, prontamente
esmaga
esmaga
e separa, caroços para o lado e líquido para o outro.
Eu disse,
e separa objetivamente o que quer do que não quer,
o que vai precisar do que não vai
bem-me-quer
mal-me quer
diploma
ou desbunde
especialização dentro
ou fora
torcer pra Holanda
ou Espanha
dar
ou
não
dar
saia lilás
ou lenço verde cor de cana
sessão de arte
ou besterol lado B
séria e comportada
ou divetida, tipo, sitcom
o que eu levo
o que eu descarto
o caroço da laranja
o bagaço
ou o precioso líquido amarelo vitaminado?

Sabem, senhores,
não me amolem, me deixem aqui
quieta.
Me deixem aqui pensando e decidindo por que sei que vou levar horas
ou uma vida inteira, talvez
fazendo isso...
enquanto ela, certeira, objetiva e aquariana, creio eu, bem na minha frente
ZÁS,
centrifugando prática e faceira os pepinos que lhes dão.

Odeio ela.


(Renata Santana)