quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Exclusivo!!!

O escritor Wellington de Melo, do coletivo Urros Masculinos, anunciou que a festa literária FreePorto terá apenas 3 edições.

Isso mesmo.

A primeira edição do assustado anárquico-literário FreePorto, organizada pelo Coletivo, foi realizada nos dias 6 7 e 8 de novembro, na Rua da Moeda, zona boemia da cidade do Recife – mas lá só tomamos Skol.

E foi e aconteceu e balançou e bombou.

Mas tem data pra acabar.

Se você não teve a oportunidade de conferir o evento deste ano, pelo menos agora você já sabe que não vai precisar ficar budejando por conta de coisas do tipo: “Ah, no próximo show da Cássia Eller eu vouuu”. Fica a lição.

E o motivo de apenas 3 edições?

No vídeo gravado no bar “Bom dia, São Paulo”, na Rua Augusta (sim, ela de novo! Mas dessa vez estávamos lindos e sóbrios) e cujo proprietário é um recifense cabra da peste e ex-residente do bairro de Casa Amarela, Wellington justifica o curto prazo do evento.

Er... não é por que o depoimento foi gravado em um bar (hirc!) que não devemos levar a veracidade dos fatos em conta, ainda que a conta nos diga que uma cerveja custe quase 5 reais. Mas isso já é outra história...

Então, não leve nada em conta. Leve não leve não leve não. Leve em consideração.

É isso,


FreePorto,

Ei, bi, cí,

Dó-ré-mi

One, two, three.


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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Museu da Língua Portuguesa - SP.

Tentei fazer um registro da beleza multimídia que é este museu.

Me deu uma vontade tão grande de trabalhar neste lugar (até porque ele só funciona das 10 às 17h, hehe), que quase deixo o meu currículo na porta, dentro de uma cestinha de vime e com um laçinho cor de rosa: quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui com vocês?

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PS: O vídeo é curtinho porque a pilha da máquina era uma safadinha.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Com Leminsk na Rua Augusta.

Não tinha nada a ver.
Ou até tinha....
....Tinha tinha tinha, estou certa que tinha!

Depois de uma manhã e de metade da tarde desta quinta-feira ouvindo literatura em formato-palestras no primero dia do Baladas Literárias, aqui em São Paulo, e tudo tudo descendo com gosto de água com gás...
....houve, a noite, um momento cerveja gelada e poesia sendo dita pra ser escutada até pelo ouvido engordurado do cozinheiro que ouvia, até então, só as quatro bocas do fogão.

É água com gás? não.
Eu ando cansada de palestras, e
quero lembrar que podemos falar de literatura em qualquer lugar. poesia não é um evento, é uma prática.

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(Renata Santana - Vila Madalena, SP)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Aí no meio daquele barulho no mercado da Boa Vista entre pássaros gente muita gente e o calor de um sábado de novembro na cidade do Recife aí la sabe la no meio de tudo um leitor sim sim sim um leitor do blog me parou assim, ele pegou assim no meu ombro, pegou assim, eu olhei pra ele e ele já olhava pra mim ele ele olhou e ja foi dizendo, mas ele ja foi dizendo mesmo:

- Cadê o blog?!


(silêncio)



No meio do barulho dos pássaros calor bosta de pássaros no asfalto derretendo no piso nas pisadas nas sandálias derretendo no forró barato do Mercado cheio de gente gente gente tanta gente menina é novembro e ficou silêncio e ficou e eu fiquei gaga e eu fique gaiza e eu não disse nada.

Eu disse,
eu poderia ter dito que um raio caiu na minha cabeça e eu fiquei assim assada tostada de cama de lona de febre comendo roendo as unhas e os dedos e os punhos e toda as varizes e escaras de uma invalidez paralisante.

Mas eu não minto. Minto não,

Eu fiquei muda eu fiquei gaga eu fiquei gaiza,
e o blog? e o blog? e o blog?
última postagem no dia 18 de outubro, menina menina menina, e o blog?

Minto não.
Olhei bem pra ele e ele e ele fez:
-parasse no Id, foi?

E eu,
sim sim sim, eu sou muito id... mas eu não minto não.

- O blog, né? menino o blog eu nunca mais porque eu não estava parada paralizada numa cama, porque eu poderia te dizer que fui atingida por um raio e estava de cama, mas
gato tem sete vidas e eu não estaria sendo leal (nem gata),
o blog está la assim porque é fim de período e as cadeiras da faculdade estão cheias de prego e eu não quero permanecer nelas durante muiito tempo. Eu quero mudar de cadeiras, eu quero.
E a ideia da mudança de um cabo que me conecta a Internet foi fatal, e aí eu sou uma blogueira há 15 dias sem Internet, eu sou. Eu sou uma blogueira que está online nos eventos literários no trabalho no estágio e aí não sobra tempo gás fôlego pra entrar numa lan house no final da noite e escrever sentindo todos os odores da adolescência suada impregnada numa inhaca daqueles que disseram em casa que iam tomar banho mas pularam a janela e foram jogar aquele jogo em que se mata e se grita o tempo todo e deixa o dever de casa envelhencendo sobre a mesa enquanto a mãe a mãe e o pai envelhecem e se azedam sobre as jornadas de trabalho que assim como o jogo em que se mata e se grita o tempo todo, também têm o tempo contado e e e e já são 18h e o ônibus que vai para as nossas casas está lotado.

É isso.
-Eu estou sem tempo e lugar pra escrever no blog, eu disse.

E o homem, o homem sabe, que ficou de ver o problema da minha Internet ele parece que também tem problema de tempo e,
nunca nunca vai ver a minha Internet. Porque você, vocês, não ligam pro homem da minha Internet para que ele encontre tempo, porque se ele encontrar tempo eu vou passar a ter mais tempo e se eu tiver tempo o blog vai ter texto. Quer o número dele?? eu dou!

Aí o leitor, meu deus, o leitor me parou e eu falei, falei mesmo.
Mas nada disso importa, nada disso importa. Repara que não importa?
Percebe?
A inhaca dos 13 anos jogando e suando na lan house apertada e fedida e oleosa e e e, atrasando o dever de casa que a professora pediu que copiassem do quadro e e e eu com medo de que o calor o delírio me levasse prum tempo em que eu estava, em que eu jogava depois da aula, nas máquinas de botões coloridos entre muitos e quase todos meninos, jogando e dizendo com a boca cheia de vento,
-tô no playtiiiiiiiiiiiiiiiiime, mãaaae, e
o time que se abre na boca como se houvesse "a" dentro da palavra, mas não há,
não há mais nada de ar. Há calor, há muito calor. E o calor transpirou meus 9 10 11 anos de idade, e
agora eu tenho 23 e não tenho ar nem playtime nem time porque meu time no laboratório de informática da Universidade está terminando, e eu vou indo pra aula porque quero mudar de cadeira, e nada nada disso importa quando
você tem um leitor que pára você no meio do caos de um sábado de forró barato com bosta de gente de pombos e pássaros e diz,

-não pára de escrever não, porque eu estou acompanhando tudo que você escreve...


(Renata Santana)